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NotŪcia - 20/12/2023 - Ela foi empregada dom√©stica e hoje lidera cl√≠nica de tratamento capilar que fatura R$ 6 milh√Ķes
20/12/2023 - Ela foi empregada dom√©stica e hoje lidera cl√≠nica de tratamento capilar que fatura R$ 6 milh√Ķes

Conheça a trajetória da especialista em tratamento capilar que criou sua própria rede de clínicas em Joinville, Santa Catarina.

Assim como muitos brasileiros, Simone Correia, fundadora da rede de cl√≠nicas de tratamento capilar Recupere, que fatura R$ 6 milh√Ķes ao ano, come√ßou a empreender por necessidade. Na verdade, ter o pr√≥prio neg√≥cio parecia algo imposs√≠vel na realidade da paulista de 26 anos que trabalhava desde a inf√Ęncia como empregada dom√©stica.

Ela usou o conhecimento adquirido em um salão de beleza especializado em perucas para empreender. Simone começou a oferecer massagens e tratamentos capilares por conta própria. A proposta de negócio deu certo.

Em 2008, ela criou a Recupere com foco em tricologia, √°rea da sa√ļde voltada √† preven√ß√£o e tratamento da sa√ļde capilar. Ela come√ßou com uma sala pequena em Joinville, Santa Catarina. "Assim que eu comecei a ter algum retorno financeiro com os atendimentos eu busquei cursos e certifica√ß√Ķes para estudar tricologia", diz Simone Correia.

Além de liderar uma equipe com 25 funcionários em quatro cidades, Simone também é professora de pós-graduação na área de tricologia e oferece mentoria a profissionais da área.

"Com muita dedicação e estudo eu consegui transformar a minha realidade e ter meu próprio negócio em uma área na qual eu me identifico", diz.

Quem é a empreendedora

Nascida em Itaquaquecetuba, S√£o Paulo, Simone teve uma inf√Ęncia dif√≠cil marcada por um ado√ß√£o e trabalho durante a inf√Ęncia. Ela era a ca√ßula de oito irm√£os e mudou de cidades muitas vezes at√© ir morar com a fam√≠lia em Joinville, Santa Catarina.

Ela sempre trabalhou como empregada dom√©stica. Sua √ļnica experi√™ncia em outra √°rea foi em um sal√£o de beleza especializado em perucas. No in√≠cio, ela era respons√°vel pela limpeza das perucas, mas logo passou para o atendimento de clientes que buscavam tratamento capilares.

"No salão eu aprendi a fazer massagens e tratamentos para o crescimento e fortalecimento dos fios. Eu decidi deixar o emprego e voltar a trabalhar como empregada doméstica quando a proprietária do salão tirou a pequena comissão que eu recebia por cada atendimento", conta.

Como ela começou a empreender

De volta ao trabalho doméstico, Simone começou a trabalhar na casa de uma família que tinha uma empresa de consertos de computador em Joinville. A primeira oportunidade que recebeu da família para mudar de área foi para virar secretária administrativa. "Eles viram que eu tinha interesse em aprender coisas novas e crescer", diz a empreendedora.

O chefe, que sabia que Simone tinha trabalhado num salão especializado em cabelo, perguntou se ela poderia fazer um tratamento contra a calvície que começava a aparecer. Ela começou a atender o então chefe em 2008, que se tornou o primeiro cliente da nova fase da sua carreira.

O tratamento funcionou e cabelo dele voltou a aparecer. Ele passou a indicar o tratamento para amigos e conhecidos na cidade e Simone conquistou os primeiros clientes.

Naquele ano, ela alugou a primeira sala comercial em Joinville e financiou a compra de equipamentos. "Investi cerca de R$ 5 mil para criar a primeira clínica da Recupere", lembra a empreendedora.

Como funciona a rede de clínicas Recupere

A primeira unidade da Recupere foi inaugurada em 2008 em Joinville. Aquela também foi a primeira clínica especializada em tricologia de Santa Catarina -- o que achou atenção de clientes em outras cidades do estado.

Outras duas unidades próprias foram inauguradas em Florianópolis e em Curitiba. Simone conta que, antes de investir na abertura de uma nova clínica, ela viaja com a equipe de profissionais para as cidades e atendia em espaços alugados.

"Eu s√≥ abri novas unidades quando tinha um n√ļmero grande de clientes na cidade", diz a empreendedora. Al√©m das tr√™s unidades pr√≥prias, a rede conta com uma unidade licenciada em Vit√≥ria. Para atender a demanda, as cl√≠nicas contam enfermeiros, biom√©dicos e nutricionistas. Ao todo, a rede emprega 25 profissionais.

As unidades atendem 700 pacientes por m√™s. O tratamento mais buscado √© para calv√≠cie. Com fototerapia e medica√ß√Ķes injet√°veis, cada paciente √© atendido por cerca de seis meses com consultas quinzenais. Hoje, as quatro unidades da rede faturam R$ 6 milh√Ķes ao ano.

Outros pacientes conseguem realizar parte do tratamento de casa. A empreendedora desenvolveu em 2019 uma linha própria de produtos que atualmente conta com 11 itens.

O mercado de transplantes capilares est√° crescendo no Brasil e no mundo. Relat√≥rio da Global Market Insights aponta que o mercado de transplante capilar foi avaliado em US$ 5 bilh√Ķes em 2022 e deve apresentar uma taxa de crescimento de 21% at√© 2032, com mercado estimado em US$ 37,5 bilh√Ķes em
10 anos.

A clínica Recupere não trabalha com transplantes capilares, mas oferece tratamentos pré e pós operatórios -- o que tem atraído cada vez mais clientes.

"Sabemos que a √°rea da tricologia est√° em crescente expans√£o no Brasil. A preval√™ncia de doen√ßas capilares afeta cerca de 40 milh√Ķes de brasileiros o n√ļmero de cursos e p√≥s gradua√ß√£o em tricologia tem crescido muito", diz Simone.

Formação acadêmica

A primeira forma√ß√£o da empreendedora na √°rea da tricologia foi internacional. Em 2008, quando criou a Recupere, Simone n√£o encontrava forma√ß√Ķes t√©cnicas no Brasil. Ela conseguiu um certificado t√©cnico de tricologia na IAT Trichology da Austr√°lia, organiza√ß√£o que se dedica ao estudo e tratamento dos problemas relacionados ao cabelo e ao couro cabeludo. "Pedi para o professor traduzir o material e comecei a estudar".

Depois de tirar o certificado australiano de tricologia, Simone não parou mais de estudar. Em 2018, ela se formou em biomedicina. Hoje, ela faz especialização no Hospital Albert Einsten e integra a Associação Mundial de Tricologia, entidade sediada na Flórida.

Além de empreendedora, ela é professora de pós-graduação no Paraná e em Santa Catarina, além de oferecer mentorias para profissionais da área. "Eu vejo a tricologia como um proposito de vida que mudou a minha realidade. Passei por muitas dificuldades, mas sempre soube aproveitar as oportunidades que surgiram", diz.

Fonte: exame.com
 
     
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