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NotŪcia - Justi√ßa de Hong Kong condena ex-patroa √† pris√£o por torturar dom√©stica
Justiça de Hong Kong condena ex-patroa à prisão por torturar doméstica

Law Wan-tung, de 44 anos, cumprirá pena de seis anos por torturar empregada doméstica da Indonésia. Mulher era agredida e obrigada a comer e dormir pouco. Justiça quer investigação sobre abusos de agências de emprego.
Law Wan-tung, de 44 anos foi condenada a seis anos de pris√£o nesta sexta-feira (27/02), em Hong Kong, por torturar sua empregada dom√©stica indon√©sia. Segundo a Justi√ßa, e ex-esteticista √© respons√°vel por les√Ķes corporais graves, ass√©dio moral, intimida√ß√£o e falta de pagamento de sal√°rios, num caso que ganhou aten√ß√£o internacional.

A mulher havia sido considerada culpada no dia 10 de fevereiro, mas só agora ela conheceu a sentença, que poderia chegar a uma pena máxima de sete anos de prisão. Law Wan-tung ainda pagou uma multa de 15 mil dólares de Hong Kong, o equivalente a 1,9 mil dólares americanos.

Erwiana Sulistyaningsih, de 24 anos, relatou em dezembro passado, perante o tribunal, que vivia apenas com ra√ß√Ķes de p√£o e arroz, dormia quatro horas por noite e foi agredida com tal viol√™ncia pela patroa que j√° chegou a ficar inconsciente. Durante o julgamento, que durou seis semanas, a acusa√ß√£o de Law revelou que ela chegou a introduzir um cano de aspirador de p√≥ na boca de Sulistyaningsih, causando dilacera√ß√Ķes, e a obrigava a urinar em sacos pl√°sticos.

A justiça da região administrativa especial chinesa classificou a atitude e o comportamento de Law, mãe de dois filhos, como "desprezíveis" e considerou que ela "não mostrou compaixão" por Sulistyaningsih e outros empregados, como afirmou a juíza Amanda Woodcock.

Law foi condenada em 18 das 20 acusa√ß√Ķes de que era alvo. "Ela via os seus funcion√°rios como pessoas inferiores", disse a ju√≠za, que ainda pediu uma investiga√ß√£o √†s autoridades de Hong Kong e da Indon√©sia sobre as condi√ß√Ķes dos trabalhadores migrantes. "√Č lament√°vel que esta conduta n√£o seja rara e que, infelizmente, com frequ√™ncia venha parar nos tribunais criminais."

Para Woodcock, tais casos poderiam ser evitados se as empregadas dom√©sticas n√£o fossem obrigadas a viver na casa dos seus patr√Ķes, algo estipulado por lei em Hong Kong e um dos pontos-chave de uma reforma exigida por ativistas.

A juíza destacou ainda as elevadas taxas cobradas das empregadas domésticas por agências de emprego em seus países de origem, deduzidas de seus vencimentos. "As empregadas domésticas ficam encurraladas quando estão infelizes, não podem ir embora ou mudar de empregador porque precisam pagar as dívidas", afirmou.

A Indon√©sia permite a cobran√ßa de taxas que chegam a 15,5 mil d√≥lares de Hong Kong o equivalente a quatro meses de sal√°rio das dom√©sticas para intermediar as contrata√ß√Ķes. E as ag√™ncias ainda podem cobrar taxas adicionais de recrutamento e raramente s√£o investigadas por explora√ß√£o.

Cerca de 300 mil empregadas domésticas vivem atualmente em Hong Kong, a maioria delas vem da Indonésia e das Filipinas.

Fonte: http://www.opovo.com.br
 
     
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